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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 36: FIM DO DESENVOLVIMENTO?

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No momento em que escrevo esse texto (24/06/2016) nada mudou em minha mediunidade de incorporação. O que descrevi para vocês é exatamente como tenho trabalhado até o presente. Porém, uma nova mediunidade começa a nascer em mim: a audiência espiritual.  Há algumas semanas comecei a perceber algo diferente. Não parecia a costumeira intuição, nem a sempre presente inspiração. Eu tinha a nítida impressão de ouvir uma voz, mas não dentro da minha cabeça e, sim, fora. Como se alguém sussurrasse em meus ouvidos de forma a poder compreender algumas sentenças bem completas. Vamos aos exemplos.  Estava trabalhando quando tive a impressão de ouvir o Pai José do Congo dizer, de forma lenta, como se fosse um ditado: fulana precisa descansar mais. Fulana é uma amiga nossa e médium. Para minha surpresa, tão logo chego em casa minha esposa me disse que ela estava internada, pois sofreu tonturas. Por esses dias, estávamos em dúvida se a próxima gira seria de caboclos ou pretos-velhos e tive a ...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 35: DESOBSESSÃO

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Não tenho a menor dúvida de que a desobsessão ajudou e muito o meu desenvolvimento mediúnico. Nas giras convencionais temos que aprender a reconhecer e a trabalhar com apenas uma ou duas entidades. Na desobsessão, nunca se sabe que espírito se manifestará.  Atuei durante pouco mais de um ano na desobsessão, que ocorria toda segunda-feira. A princípio como esclarecedor e, depois, como médium de incorporação. Recebia, principalmente, suicidas e perdidos, mas também recebia assassinos, assassinados, enlouquecidos, etc.  Essa grande variedade de manifestações, embora me causasse enorme cansaço e, por vezes, muita dor no corpo (se se manifestava um suicida que deu um tiro em sua cabeça, eu sentia muita dor de cabeça) fez com que eu evoluísse como médium. Se antes eu demorava alguns minutos para incorporar, na desobsessão isso se tornou segundos.  Grande variedade de espíritos, grande variedade de sofredores, maior flexibilidade para energias diferentes, melhor médium eu me tor...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 34: ENVOLVA-SE

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Defino envolvimento como uma relação de amor, onde você faz coisas pelo simples prazer de estar ali e poder viver aquele momento. Quando comecei a frequentar o terreiro, sentia-me como alguém que visita uma cidade nova e se encanta com tanta coisa diferente. As entidades me acolheram muito bem, deram-me liberdade para pesquisar, perguntar, questionar à vontade.  Quando comecei a me desenvolver, fui auxiliado sem preguiça pelas bondosas almas, sempre prontas a me esclarecer e orientar. Parecia um sonho! Eu finalmente encontrara a casa espiritual que a vida toda procurara... Eu trabalhava o dia todo e não via a hora de chegar ao terreiro, ansioso por saber o que aconteceria, como seriam os trabalhos, o meu desenvolvimento, o que sentiria essa semana? Com o tempo notei, contudo, que nem todos os médiuns pareciam sentir igual.  Muitos chegavam desanimados, reclamando, mostravam-se frustrados, apáticos. Alguns preferiam ficar do lado de fora batendo papo, mesmo a espiritualidade re...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 33: REFORMA ÍNTIMA

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A maioria dos médiuns Umbandistas que eu conheci não gostava de estudar e, muito menos, esforçar-se por se tornarem melhores enquanto indivíduos. Em nossa antiga casa, implantamos um estudo e apenas cinco pessoas, quando muito, apareciam... No dia de trabalho, eram 20; nos estudos, cinco.  Muitos diziam não ter tempo para vir ao estudo, mas arrumavam tempo para não faltar da gira e se fosse da esquerda, o que ocorria sextas à noite, não faltava um... A bem da verdade, mesmo sabendo que na Terra a imperfeição impera e não desconsiderando que eu mesmo sou muito imperfeito, devo dizer que as pessoas mais complicadas que eu já encontrei no campo espiritual estão dentro da Umbanda, isso tanto presencialmente quanto virtualmente.  Não desejo menosprezar meus colegas de religião e muito menos a mim mesmo, contudo, é notório aos meus olhos a diferença existente entre o “comportamento típico Espírita” e o “comportamento típico Umbandista” e isso me chocou muito, pois eu via pessoas que...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 32: VAIDADE

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A vaidade é, sem dúvida, um dos maiores perigos a que o médium estará exposto. Ela pode se manifestar de várias formas e mesmo o mais firme dos médiuns está sujeito a ela. A vaidade na mediunidade geralmente se manifesta quando o médium superestima sua capacidade mediúnica ou as entidades com quem trabalha ou quando passa a se sentir agraciado com os créditos que na verdade são direcionados às entidades.  É preciso combatê-la ainda em seu nascedouro. Se esperarmos demais, ela pode estar com raízes profundas o suficiente para resistir com força ou mesmo chegar ao ponto em que se torna impossível extirpá-la sem maiores danos. Se o médium possui uma faculdade pouco comum, como a vidência (capacidade de ver os espíritos) ou a psicografia, certamente as pessoas o colocarão num patamar diferenciado dos demais.  Tais faculdades não são muito comuns, mas extremamente apreciadas pelas pessoas necessitadas, de modo que muito rapidamente esses médiuns se tornam famosos e bastante procura...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 31: OS GUIAS TAMBÉM ERRAM

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Os espíritos que atuam nos terreiros são chamados de falangeiros. São espíritos ainda imperfeitos, embora muito melhorados em relação à humanidade comum. Todos tiveram existência Terrena e alguns, quando nos dão a conhecer suas histórias, falam abertamente sobre seus erros do passado e afirmam ainda terem dívidas a pagar. Estou ciente de que isso possa causar polêmica, mas como meu objetivo é compartilhar a minha experiência da forma mais precisa e honesta possível, preciso dizer a verdade...  V ejo muitos companheiros de fé falando das entidades como se fossem anjos de luz baixando à Terra e preciso dizer que isso está muito longe da verdade, pelo menos, da que tenho observado... Nossos guias (faço uma distinção entre guias – direita - e guardiões - esquerda) são, sim, espíritos em franco progresso espiritual. Espíritos que venceram a maioria das dificuldades em que ainda nos demoramos e, por isso, assumem a posição de guias: eles estão alguns passos à nossa frente! E embora possu...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 30: MEDO DE ERRAR

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Todo médium que se preze tem medo de errar. Tem medo de estar sendo mistificado. Tem medo de estar enganando a si mesmo na incerteza de estar ou não incorporado. E isso é ótimo! Sim, eu sei que é desagradável sentir medo, seja do que for... Porém, o medo de todas essas coisas que eu citei indica que você tem caráter. O que assusta são médiuns que não tem medo de nada, que colocam tudo na conta da “entidade”, isso, sim, assusta... Preciso dizer, contudo, que este medo nunca vai cessar.  Com o tempo, você se acostumará com o trabalho e se entregará mais facilmente, mas a ansiedade e expectativa sempre estarão com você. Conheci uma senhora com 50 anos de mediunidade e embora ela trabalhasse com uma naturalidade incrível, me confessou que, pelo menos às vezes, ela sente uma pontinha de insegurança. Se você tem medo de errar, de não consolar a pessoa, de não passar direito o recado do guia, saiba: é absolutamente normal! Agora, o que vou explicar precisa ser entendido com muita atenção:...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 29: PAI-DE-SANTO

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Muitas casas de Umbanda seguem a forma de trabalho onde se elege um pai-de-santo, isto é, um sacerdote para o templo e orientador espiritual dos membros da casa. Pessoalmente, não concordo com este sistema e nunca adotei nenhum pai-de-santo em minha vida. Nos capítulos anteriores vimos como as pessoas podem ser complicadas e isso, logicamente, se estende ao pai-de-santo...  Soube de muitos casos em que a relação pai/filho-de-santo não era boa e terminou em brigas, desavenças de todos os tipos e mesmo ataques pessoais. Claro, há sempre exceções. Pude conversar com pessoas que tiveram maravilhosos pais e mães-de-santo que personificavam não apenas um cargo, mas uma figura amiga, caridosa, conselheira, alguém que realmente tinha o respeito de seus filhos de-fé. Na casa onde desenvolvi, contudo, não tínhamos um pai-de-santo. Tínhamos um presidente para fins legais e um médium principal, através do qual, podíamos conversar com as entidades-chefes, estas sim, as verdadeiras chefes-de-ter...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 28: AMIZADE FORA DO TERREIRO

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Nada mais comum e desejável que os amigos que se faça dentro do terreiro possam sê-lo fora dele. Realmente, eu pude sentir isso e estabeleci laços de afeto com pessoas que, em outras ocasiões, certamente não cruzariam meu caminho, dada a diferença de personalidade e interesses. Este é, porém, um momento perigoso na vida do médium iniciante e que exige muita cautela. Por vezes, o seu companheiro de terreiro não é uma boa companhia para se ter na vida privada...  É preciso ter tato e, principalmente, discernimento. Presenciei alguns episódios onde pessoas, empolgadas por um ideal em comum, buscaram estreitar laços fora do terreiro e isso não deu muito certo. É preciso considerar, sempre, que os médiuns são - quase todos -, espíritos tremendamente endividados com o passado e não se pode esperar que passem a viver valores nobres da noite para o dia... Você pode ter muito apreço pelas entidades de um determinado médium, mas daí este médium agir conforme as entidades pregam por sua boca,...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 27: ANTIPATIA DENTRO DO TERREIRO

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Como dito em capítulo anterior, os médiuns são pessoas comuns e, às vezes, possuidores de chagas morais que tornam a convivência com seus irmãos de fé um verdadeiro desafio. Entretanto, da mesma forma que o médium tem que silenciar sua mente para que a entidade possa falar, ele precisa silenciar suas inimizades para que os guias possam trabalhar.  Acompanhei de perto o caso de dois senhores amigos que, de repente, passaram a se evitar dentro do terreiro... Certa noite, durante a gira, ambos incorporados com seus caboclos começaram a discutir no meio do trabalho, a ponto do guia-chefe intervir para abafar o falatório...  A casa estava cheia, pessoas necessitadas, aflitas, doentes e ali dois caboclos, simplesmente, brigando na frente de todo mundo... Ou será que a antipatia pessoal entre os médiuns falou mais alto e ambos deixaram isso transparecer? Não fingiram incorporação... Ela apenas se deu de modo incompleto. Não houve perfeito alinhamento dos chakras entre entidade/médium...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 26: CAMINHO RETO

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Pai Cipriano das Almas uma vez me disse uma frase inesquecível: médium não é santo, se fosse, estaria no Altar, não no terreiro. Essa frase é bastante emblemática. A maior parte dos médiuns são espíritos com pesadas dívidas com o passado e a mediunidade surge como ferramenta de aperfeiçoamento e meio de quitar antigos débitos...  Seguindo este raciocínio, não é difícil entender por que os médiuns possuem os mais diversos defeitos: desde falhas gravíssimas de caráter (mediunidade não é sinal de evolução), até pequenos desafios cotidianos comuns a todas as pessoas na Terra. Por isso, quando o médium resolve desenvolver-se, ele não está apenas assumindo um compromisso de servir de instrumento à manifestação do espírito em prol da caridade, ele também está assumindo o compromisso de melhorar-se como pessoa e será cobrado por isso.  Há um ponto que diz: “não adianta bater no peito, saudar a encruza, e não agir direito... Viver só de traição, fazendo inimigos, maltratando seus irmão...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE: - CAPÍTULO 25: COMPROMISSO

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Em capítulos anteriores eu mencionei brevemente como a mediunidade gera um sério compromisso. Basta lembrar, por exemplo, que a minha primeira atuação como médium atendendo publicamente se deu por ocasião em que vários médiuns experientes faltaram por conta da chuva e tive que agir naquele momento para suprir a ausência de pelo menos um deles.  Geralmente, eu vejo as entidades perguntarem três vezes ao candidato à médium se ele quer, mesmo, trabalhar. Muitos negam, mas alguns dizem prontamente que sim. Entretanto, mesmo nestes casos, tenho visto as entidades exigirem provas mínimas de compromisso. Certa vez o caboclo que trabalha comigo (Uirapuru) atendeu a um rapaz e, imediatamente, percebeu sua mediunidade.  Na conversa com o consulente, este lhe informou já ter recebido, antes, avisos sobre a mediunidade, mas sentia não ser a hora de trabalhar, pois ainda queria alcançar algumas metas profissionais. Mesmo assim, a entidade lhe alertou, dizendo que já estava, sim, na hora de...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 24: ESTUDAR SEMPRE

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Posteriormente, estudando sobre a história da Umbanda, descobri que muitos médiuns e dirigentes do passado não incentivavam o estudo ou tentavam reter a informação de modo que os demais médiuns precisassem sempre recorrer a eles para saber o que fazer, como fazer, etc. Havia o pressuposto de que o melhor era o médium nada saber, pois se sua entidade soubesse, seria a prova inequívoca de que ele estava mesmo incorporado. Nas primeiras décadas da Umbanda, vários médiuns inconscientes surgiram para dar força à religião. As entidades que por eles se manifestavam lançaram as bases de cada forma de trabalho e, para isso, era necessário dispor desse qualificativo mediúnico. O correr dos anos, porém, fez com que a mediunidade inconsciente se tornasse cada vez mais rara... A mediunidade consciente prevaleceu como a forma comum de trabalho. Os médiuns agora eram chamados a servirem mais do que como meros aparelhos, meros cavalos... Eles deveriam participar de todo o processo e, com isso, enrique...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 23: PENSANDO SOBRE DINHEIRO

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Desde o surgimento da Umbanda, a gratuidade se estabeleceu entre os seus fundamentos. Em diversas ocasiões o Caboclo das Sete Encruzilhadas alertava aos médiuns sobre os perigos do “vil metal”, como ele chamava o dinheiro. Nas muitas conversas que estabeleci com as entidades, elas sempre deixaram claro que não negociavam com a gratuidade. Ela deveria ser absoluta, irrestrita, incondicional. Não podendo haver, nunca, espaço para cobrança nos trabalhos ou na transmissão do conhecimento. Portanto, estou bem certo de que a minha opinião neste capítulo poderá desgostar a muitos... Mas, como desejo compartilhar a minha vivência e aprendizado mediúnico, torna-se um dever de consciência torná-la pública, o que não fará dela – e não desejo que alguém a faça – parâmetro para coisa alguma, senão, para suas próprias reflexões... É apenas e, será sempre, uma opinião. Mesmo sendo a gratuidade um dos fundamentos da Umbanda, encontrei algumas pessoas que pensavam de forma diversa. Alguns, alegando uma...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 22: PRECONCEITO

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Não é novidade que, nos últimos anos, o preconceito religioso, travestido da sua forma mais agressiva, a intolerância, tem se tornado cada vez mais comum no Brasil. Quantos terreiros são atacados e depredados? Lamentável, mas verdadeiro. Isso faz com que muitos companheiros médiuns busquem esconder sua religiosidade e seu trabalho. Conheci excelentes médiuns, com anos de atuação e experiência em terreiros e que o faziam de forma totalmente oculta... Claro... Existem pessoas que são mesmo muito discretas. Mas, não é o caso da maioria dos que eu conheci. A maioria procurava atuar em terreiros bem longe da sua casa, minimizando o risco de encontrar um conhecido. Quando chegavam ao terreiro, vinham em roupas normais, deixando para fazer a troca somente dentro do terreiro. Não procediam assim para evitar sujar a roupa branca ou coisa semelhante, mas por vergonha/medo de andar na rua trajado de branco, com as guias no pescoço, etc. Quando resolvi entrar para a corrente também tive um pouco d...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 21: O FUMO

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Vindo de família que não fuma e detesta o fumo, imaginei que esse seria um dos fatores que mais dificultariam meu ingresso na Umbanda. Se não bastasse, sou bastante alérgico e sofro com rinite crônica. As primeiras vezes em que frequentei um terreiro foram tormentosas por conta da fumaça da defumação e, posteriormente, dos cachimbos, charutos, cigarros de palha, etc. Desejava sair correndo em busca de ar fresco. Com o tempo, porém, acostumei-me.  Certo dia, uma bondosa preta-velha, Vovó Maria do Rosário, ofereceu-me um cigarro de palha. Aceitei a contragosto, pois jamais pensei em fumar. Pediu-me que acendesse ali mesmo e que segurasse a fumaça na boca, sem engoli-la, pois é assim que eles fazem, sem tragar. Acendi, fumei e, para minha surpresa, minha rinite parecia adormecida. Mais: minha boca salivava de vontade de fumar outro e outro, como se estivesse me deliciando com alguma iguaria muito apreciada!  Fumei rapidamente aquele cigarro de palha e, tão repentinamente quanto c...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 20: ELEMENTOS DE TRABALHO

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Resolvi abordar este assunto num capítulo próprio por ser um tema que gera muitas dúvidas. Enquanto espírita, eu não podia compreender por que razão um espírito, ao se incorporar, necessitaria beber ou fumar alguma coisa. A explicação mais razoável, simples e comum, era a de que se tratava de entidade inferior, apegadas ainda aos prazeres terrenos. Tese, aliás, frequentemente esposada por muitos espíritas...  Ao contrário, porém, de alguns colegas que insistem em dizer que o uso dessas substâncias seja exclusivamente para fins de trabalho, eu aprendi que, em certo ponto, elas gostam, sim, de fazer uso delas. Mais de uma vez vi pretos-velhos falarem da saudade que sentiam de tomar um café ou pitar um cigarro de palha. Várias vezes ouvi o Pai Cipriano falar sobre seu apreço pelo vinho tinto. Muitas vezes presenciei o contentamento de um exu ao receber uma cachaça de engenho e por aí vai. Não vejo a menor falta de respeito em dizer a verdade, pelo menos, essa é a minha experiência......

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 19: ORIXÁS DE CABEÇA

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Uma curiosidade muito natural das pessoas quando entram para a corrente é saber quem são seus Orixás de cabeça. Já acompanhei muitos diálogos na internet sobre os métodos para conhecer o Orixá da pessoa. Alguns jogam búzios, outros tentam adivinhar pela data de nascimento, etc.  Cada pessoa possui apenas dois Orixás de cabeça, isto é, a que ela está ligada por semelhanças de personalidade, sendo um masculino e outro feminino, ao que damos o nome de Pai e Mãe de Cabeça. A única entidade que falava sobre os Orixás era o Pai Cipriano.  Não se jogava búzios, ele apenas observava com atenção a pessoa, pedia um tempo para pensar e depois respondia. Eu já contava com uns cinco meses de desenvolvimento quando surgiu esse assunto entre os médiuns.  A maioria estava em desenvolvimento e tinha muita curiosidade em saber quais eram seus orixás. Eu, sinceramente, não me importava muito com isso. Vinha do Espiritismo, onde não se falava em Orixás, então eu não me sentia tão interessado...

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 18: MECANISMOS DA INCORPORAÇÃO

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Aprendera no diálogo com os espíritos que apesar do termo, incorporação não quer dizer, exatamente, entrar no corpo. A entidade que irá se incorporar permanecerá, sempre, fora do corpo do médium.  O que ocorre é simples aproximação da mesma, envolvimento vibratório de um para com outro, entrelaçamento entre fluxos energéticos vindo dos chakras do espírito e do médium. Vou tentar detalhar ao máximo o que aprendi com as entidades, embora não compreenda todo o processo. O médium se concentra, elevando seu pensamento e, por consequência, seu padrão vibratório. Se for uma entidade da direita, um caboclo, por exemplo, ele abaixará seu padrão vibratório o mais próximo possível do nível do médium. Se for uma entidade da esquerda é provável que não haja muito esforço de ambas as partes, dada a proximidade vibratória.  A partir daí - por um processo que sinceramente desconheço -, filamentos fluídicos começam a se estender dos chakras da entidade e do médium. Em algum ponto eles se encon...